Às mães, a história de uma mãe

Antes de tudo, quero pedir desculpas a vocês, amigos, por esse período um pouco maior em que estive “ausente” aqui do blog (e da internet como um todo). Tive algumas semanas um tanto quanto cheias, socialmente falando, e com isso já estava começando a me sentir sobrecarregado. Admito que ainda não estou 100%, mas não poderia deixar passar mais uma semana – e esta em especial – sem que postasse um novo texto.

Hoje, já antecipando a comemoração do próximo domingo, quero contar para vocês a história de uma mãe. Eu a vejo como uma história muito bonita, apesar de todos os percalços que aconteceram pelo caminho. É também um pouco longa, mas, não se preocupem, vou contá-la de maneira resumida.

 

Mãe

Mãe

Ela sempre foi uma mãe dedicada, de dois filhos. O mais novo veio dez anos depois do mais velho, uma diferença considerável, mas ainda assim ela conseguia dar a atenção necessária a ambos, mesmo com as particularidades de cada um deles. A pedido do marido, um garçom itinerante que, em determinadas épocas, passava boa parte do tempo viajando de um evento para outro, ela ficava em casa, cuidando dos filhos. Pelo menos do mais novo, pois o mais velho, chegando à adolescência, já batia asas e voava por conta própria. Ele, aliás, casou-se cedo; aos 18 anos estava deixando a casa dos pais e se mudando para um novo lar a fim de constituir família. Sobravam, então, a Mãe e o filho caçula, com aparições esporádicas do Pai, que trabalhava para sustentar os dois.

Acontecia, entretanto, que o Pai há muito tempo se envolvia com companhias que não eram das melhores. O resultado disso foi que, depois de o Caçula completar 10 anos de idade, ele acabou sendo preso, acusado de passar cheques sem fundo por aí (isto foi o que me contaram). Assim, sem o dinheiro que vinha do Pai, a Mãe não viu alternativa: teve que arregaçar as mangas e voltar a trabalhar. Mas o que poderia fazer depois de tanto tempo, décadas, sem um emprego e, por consequência, sem experiência alguma? Das poucas opções, atendeu ao convite de uma conhecida que precisava de uma empregada doméstica para o seu apartamento. E lá foi ela, a Mãe, garantir o bem e o sustento do Filho pequeno – que, aliás, não era uma criança como as outras –, ainda que entristecida e preocupada por ter de deixá-lo aos cuidados dos vizinhos mais chegados, ou mesmo sozinho algumas vezes.

Durante um ano, aos domingos, iam com frequência à penitenciária para visitar o Pai. Não era um lugar muito agradável, mas não deixavam de fazê-lo, em respeito à figura que ele ainda representava. Ao final desse período, com a ajuda do advogado, ele passou a sair em liberdade condicional uma vez ao mês, e em mais algum tempo poderia sair livre definitivamente. Mas não foi o que aconteceu. Num dos fins de semana de liberdade, envolvido, ainda mais, com as más companhias, o Pai entrou em um esquema para assaltar um banco. Foi perseguido e preso novamente. Decepcionada, a Mãe decidiu terminar o relacionamento, e com medo de retaliações – e das próprias lembranças – mudou-se com o Filho para a casa dos pais.

Ela continuou trabalhando para sustentar o menino, ainda como doméstica – desta vez na casa de uma prima –, depois em várias casas como diarista e por fim como copeira em um escritório. Fazia milagres. Com um salário nunca maior que dois mínimos (algo em torno de 700 a 800 reais), ela conseguia suprir todas as necessidades do Filho – alimentação, saúde, roupas, calçados, materiais escolares e até mesmo alguns mimos, como doces, salgadinhos e brinquedos (ou, no caso, livros). Mais tarde, com o Filho já crescido, ela se desdobrava para comprar os caros livros da faculdade (que, menos mal, era pública) ou mesmo lhe dar dinheiro para os inúmeros xerox. E ainda arcava com as despesas da casa! Como era possível? Não sei. É um grande mistério.

Mas uma coisa eu posso lhes dizer, meus amigos: a Mãe sobre a qual vocês acabaram de ler é minha mãe. Essa é a história dela. Essa é a nossa história. Que continua viva, feliz, graças ao esforço e à dedicação de uma mulher que, para mim, é muito mais que uma vencedora. Tudo que tenho e sou hoje devo primeiramente a D-us, por ter me dado o privilégio de ter uma mãe como ela, e também a ela, por ter lutado por mim e feito muito mais do que estava a seu alcance para me proporcionar o melhor, em todos os aspectos. As pobres e poucas palavras deste texto não são o bastante para demonstrar o quanto sou grato, e é provável que minhas atitudes até o fim da vida não sejam suficientes para retribuir todo o amor que ela não apenas teve, mas demonstrou por mim.

Diante disso tudo, só me resta dizer: te amo mãe. Não só no dia das mães, mas todos os dias da minha vida.

Para concluir, deixo aqui um videozinho com uma canção de ninar muito bonita. É em yiddish e com legendas em hebraico, mas o desenho que mostra a história contada na canção é o suficiente para qualquer pessoa compreender, mesmo que não conheça o idioma. Ótimo fim de semana e feliz Dia das Mães a todas as mães!

 

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8 pensamentos sobre “Às mães, a história de uma mãe

  1. hoje você me fez chorar Diego, porque eu também faço parte dessa história, que homenagem linda, a mana Vanda merece. Bjão da tia e madrinha Vilma.. .

  2. Jacob, tô aqui emocionada!!! Com um filho como vc e com esse reconhecimento, sua mãe deve ter se debulhado em lágrimas… de felicidade, é claro!!! 😉 Garanto que, sem pestanejar, ela repetiria isso tudo que viveu um milhão de vezes, se preciso fosse… Pq os nossos filhos valem cada percalço por que passamos!!! São a própria essência da nossa vida, a nossa razão de viver!!! E o seu relato serve como combustível para a nossa jornada. Gostei demais!!!! Parabéns a sua mãe que ajudou na formação de um homem como vc e parabéns a vc que, junto com ela, conseguiu superar as dificuldades e se tornar alguém com tamanha sensibilidade!!! Temos muito que aprender…

    • Que bom que gostou, Manuela! E melhor ainda que o texto lhes serve de combustível e inspiração. É isso aí, tenho certeza disso e que os seus filhos são tão privilegiados quanto eu por terem vocês. E parabéns pra você também! =)

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