O garoto que nasceu no espaço

No último post falei um pouco sobre algumas das minhas fixações, especialmente durante a infância. O post de hoje se relaciona um pouco com esse tema.MC900295695

Estava há alguns dias vasculhando alguns cadernos antigos (gosto de guardar tudo o que for possível; mantenho caixas e caixas de cadernos, papéis, jornais, revistas, etc. – e como vocês, pais, talvez possam imaginar, minha mãe não se agrada muito disso) quando encontrei meu caderno de Português da 7ª série, datado de 1999. Eu tinha 13 anos na época, e frequentava uma escola da rede municipal de Curitiba. Folheando o caderno, encontrei um texto, ou melhor, um rascunho escrito a lápis e comecei a lê-lo. Foi difícil (e cômico) entender minha própria letra, mas consegui, com alguma insistência. Como o texto não tinha um final, cheguei à conclusão de que fora feito como uma atividade da matéria, e provavelmente foi passado a limpo para ser entregue à professora e terminado somente na versão final – tenho o péssimo hábito de não concluir os textos nos rascunhos e deixar para escrever o(s) último(s) parágrafo(s) já na versão definitiva, escrita a caneta.

De qualquer forma, o conteúdo do texto me chamou a atenção – além de me revelar que o tema proposto pela professora fora livre, algo que eu adorava; lembro que a maioria das propostas de produção de texto exigiam que eu escrevesse sobre temas predeterminados e assuntos que não me interessavam. Por certo deixei minha imaginação voar livre dessa vez, e compus um texto que me agradasse (baseado também no que eu via e lia, claro), com temas que eram nada mais, nada menos que as minhas fixações naquele momento. Talvez eu não tivesse percebido isso na época, mas relendo o texto hoje tudo fica muito claro: o espaço, dinossauros, palavras inventadas… Além disso, a questão de o ‘personagem’ ter nascido no espaço, no vácuo, e não saber exatamente a que lugar pertencia – e vocês devem notar, lendo o texto mais abaixo, que ele tem de escolher entre dois planetas, dois mundos. Justamente naquele tempo, eu começava a me sentir um “estranho”, alguém que não era como os outros ao meu redor. E a ideia de que vivia ou pertencia a um mundo à parte permeava meus pensamentos.

Depois do esforço de decifrar meus escritos antigos, tive o agradável trabalho de digitar o texto para postá-lo no blog (e em breve pretendo digitalizar a folha de caderno também, por mais que ninguém possa entender o que está escrito lá), mantendo tudo como no original, inclusive os pequenos erros de pontuação e acentuação. O texto segue abaixo, com um título que incluí quando o digitei, pois a versão original não dispunha de um. Com vocês, Jacob Galon aos 13 anos.

Nasci no espaço

Nasci no espaço, em uma nave e tive de escolher o meu planeta natal. Existiam duas opções: o planeta Proton, da galáxia de Perseus e o planeta Zermacron, da galáxia de Orfeus, ambos em galáxias perigosas.

Escolhi á Zermacron, me atraiu mais. Lá, resolvi melhorar os conhecimentos que estão dentro de mim. E um homem me disse para escolher entre me arriscar em um passado desconhecido ou voltar 125 milhões de anos atrás, até a era dos dinossauros. Escolhi o último. De repente, estava lá, num lugar sem nenhuma criatura humana.

Levei um susto quando um dinossauro (Protocetatops) conversou comigo. Ele me disse que estava havendo uma briga entre o Tiranossauro e o Tarbossauro. O Tiranossauro vence, arrancando a cabeça do inimigo. Ele me vê, e sai correndo atrás de mim.

Eu rapidamente, giro o botão de “Apagar”, e de repente o veículo espacial se dirige á Pronon. Meus pais me informam que Pronon é o planeta de meu pai. Eu dirigia o meu veículo quando de repente, aparece uma nebulosa que não deveria estar no meu curso. Mas não há tempo de desviar. E o veículo começa á entrar em pane, detectando radioatividade. Uma forte chuva de meteoritos me atinge. O veículo começa á sacudir. Eu tenho que pedir ajuda pelo rádio.

Eu estou com muito medo, mas mando a mensagem. Eu uso o motor de emergência para seguir na direção de uma fraca onda de rádio.

Eu sou puxado por uma gigantesca estação móvel de pesquisas, R5-3 UGB. Todos da Junta Governativa do Universo me recebem bem. Eles me informam que há uma estranha doença em Axle, que eles não têm cura. Eu resolvo ir até esse planeta. A estação entra na atmosfera.

Há poucos seres vivos no planeta, e os que estão vivos estão muito fracos. Os cientistas dizem que apenas as pessoas imunes á doença desembarquem. Os cientistas dizem que sou imune á doença.

Os doentes dizem que a epidemia atacou de repente e que em poucos dias, quase toda a população estaria morta.

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